El Capricho
A Villa Quijano, conhecida popularmente como «El Capricho», é uma obra inicial de Antoni Gaudí construída em Comillas (Cantábria) como residência para Máximo Díaz de Quijano, um indiano ligado ao marquês de Comillas, Antonio López y López. O projeto insere-se nos inícios da trajetória de Gaudí e é contemporâneo da Casa Vicens, com a qual partilha soluções formais, o uso expressivo dos materiais e uma forte dimensão simbólica.
História de El Capricho
A encomenda enquadra-se no entorno do Palácio de Sobrellano, obra de Joan Martorell, arquiteto com quem Gaudí colaborava. Esta relação facilitou a atribuição do projeto de uma villa situada a poucos metros do palácio, numa parcela estreita e inclinada, circunstância que condiciona a forma e a organização do edifício.
O edifício apresenta uma planta irregular e organiza-se em três níveis, cave, piso nobre e sótão. No exterior, o embasamento em pedra contrasta com os tijolos amarelos e vermelhos das paredes, combinados com faixas de cerâmica vidrada. Gaudí utiliza apenas dois motivos cerâmicos em relevo, a flor do girassol e a sua folha, repetidos e combinados para construir um programa decorativo unitário de grande força simbólica, ligado à luz, ao crescimento e ao ciclo vital. Esta conceção ornamental aparece também na Casa Vicens.
Um dos elementos mais singulares de «El Capricho» é a sua torre cilíndrica de tipo minarete, que domina a silhueta do edifício e acentua o seu carácter orientalizante. Esta torre reflete o interesse inicial de Gaudí pelas arquiteturas islâmicas e mediterrânicas, integradas livremente na sua linguagem pessoal.
O cromatismo intenso e as formas fantasiosas do conjunto deram origem ao nome pelo qual o edifício é popularmente conhecido: «El Capricho».
Máximo Díaz de Quijano morreu em 1885, o mesmo ano em que as obras foram concluídas. Chegou a habitar a residência, embora por um período muito breve. O edifício foi projetado como uma residência plenamente habitável, ligada às suas necessidades e à sua forma de viver. Neste sentido, a obra pode ser lida em relação com os interesses pessoais de Máximo, pianista, escritor e amante da botânica, que se refletem simbolicamente na arquitetura e no seu diálogo com a música e a natureza.
«El Capricho» é o primeiro rasgo de genialidade de Gaudí, onde a fantasia se transforma em arquitetura e a natureza em linguagem construtiva.
O edifício foi declarado Monumento Histórico-Artístico de interesse nacional em 1969.